sábado, 13 de janeiro de 2018

Capítulo 2: A Caixa e o Poema

- Não, não, não. É impossível.
Ezequiel andava de um lado para o outro dentro do quarto do hotel. Amanda estava sentada em sua cama, com as pernas cruzadas, olhando-o gastar o solado das botas. Ainda segurava a garrafa de vinho que ele lhe comprara, agora pela metade.
- Não é impossível. Não pra você, pelo menos.
- Primeiro, é impossível entrar em Purificação sem autorização…
- Isso é fácil conseguir. Nem dará muito trabalho, você não é metahumano.
- Segundo, a casa estará cheia de guardas - continuou falando, como se não tivesse ouvido a interrupção - e terceiro, ele é um mago de guerra. Ninguém rouba de um mago e sai ileso.
Amanda apenas ficou olhando para ele, daquele jeito sensual mas com um toque de poder. Encheu sua taça mais uma vez. Já era a terceira ou quarta vez? Ezequiel já tinha desistido de contar.
Ainda no bar, ela lhe estendeu uma pasta. Ele não sabia de onde ela tinha tirado uma pasta do justo vestido azul, mas achou prudente não responder. Amanda era conhecida como uma metahumana muito poderosa, mas ninguém tinha certeza de qual habilidade possuía. Dentro da pasta havia duas fotos, uma de um senhor beirando os 50 anos, usando uma túnica marrom e um cinto de elos entrelaçados, o uniforme do Clã Mágico. A outra era de uma urna simples, de madeira polida, com O.S. gravado em seu topo. Alguns outros papéis incluíam a planta baixa de uma mansão e alguns dados sobre o mago.
Mas o que ela pedira em troca da informação era inviável: “recuperar” a tal urna do mago. Amanda lhe contou que o tal mago, de nome Meril, tinha conseguido roubar a urna da coleção particular dela. Ezequiel não era um ladrão, mas tinha feito coisas muito piores por informações muito menos proveitosas do que a que ela lhe oferecia. Não, esse não era o problema.
Santiago lhe ensinou o combate com armas e a arte da guerra e guerrilha, mas sempre lhe alertou a evitar combates com magos, principalmente magos de guerra, que aperfeiçoaram os poderes ocultos retirados de além do véu para o assassinato em combate.
Existia também um segundo problema: podia confiar em Amanda? Sua fama lhe precedia, Uma ex-escrava, diziam, dona de um império de prazer, império este construído sobre segredos roubados, chantagens e manipulações. Se a informação que oferecia em troca estava correta, Ezequiel não tinha certeza, mas a fama dela fora construída exatamente por saber de coisas que poderiam mudar o mundo. Por que ela viera até uma vila operária apenas para encontrá-lo?
- Posso ver a dúvida em seus olhos, Ez. - Ele parou sua marcha e olhou para ela. Somente Helena o chamava de Ez - Magias são facilmente anuladas por metal da fenda, tenho certeza q essas suas armas magníficas irão te proteger. Meril é um bufão, ele usa golens em batalhas, não há o que temer dele. E ambos sabemos que mesmo a magia mais poderosa não iria te dar muito trabalho.
Era verdade. Ezequiel não era um metahumano, mas não sabia exatamente o que era. Tudo antes de Helena o encontrar na floresta era escuridão em sua mente, mas seu corpo sabia como ser letal em combate, e descobriu após um acidente na forja de Santiago que magias fortes suficientes para matar um humano comum apenas lhe machucavam superficialmente. “O Dom”, dizia Santiago.
- Como você sabe disso? - Chegou mais perto dela, e tirou a garrafa de suas mãos. Apenas Santiago sabia disso, eles não tinham nem mesmo contado pra Helena
- Eu sei de muitas coisas. Sei que ninguém além das pombas conseguem manipular o metal da fenda por muito tempo sem perder a vida, ou a sanidade. Sei que usar bainhas de chumbo é a única forma de conter as radiações do metal. Mas você não é um nephilim, mas mesmo assim usa as armas forjadas por Santiago sem ser afetado por elas. Você consegue absorver tiros arcanos menores sem nem ao menos se machucar. Sei que usa o amuleto de Santiago pendurado no pescoço e que não se lembra de nada antes dele te encontrar.
Ele jogou a garrafa que estava segurando contra a parede, e antes dela se quebrar, ele já estava segurando o pescoço de Amanda.
- COMO VOCÊ SABE DISSO? - Mesmo sendo suspensa pelo pescoço, Amanda abriu um sorriso provocativo. - Quem é você?
- Santiago confiava em mim. Me pediu para pesquisar seu passado quando você apareceu na casa dele. Olhe - saída de lugar nenhum, ela estava segurando uma vizcaina, uma adaga utilizada como segunda arma em combates. No cabo, o inconfundível Símbolo de Santiago, a cruz idêntica das armas dele, e do brasão que levava no peito.
Santando-a, pegou a arma e a examinou. Leve, bela, envolta em uma bainha de chumbo adornada com runas que falavam de contenção e proteção. Com certeza um trabalho de Santiago, forjada com metal da fenda tão puro quanto sua espada. Vira uma parecida no chalé uma vez, e apostava que eram gêmeas, criadas para serem usadas juntas por um assassino, não para um guerreiro. A que ele conhecia tinha desaparecido após o incêndio, como várias outras armas pessoais, roubadas por Roberto e sua corja.
- Precisava desperdiçar meu vinho? - De pé, ela olhava para a taça derramada no lençol e para a garrafa quebrada - Santiago salvou minha vida. A urna que Meril me roubou pertencia a Ordem, e Santiago me confiou ela antes de se tornar Grão Mestre. O.S. significa Oswaldo Santiago, o nome verdadeiro dele. Não sei o que está dentro dela, mas com certeza não é algo para os olhos de um mago.
Se aquilo era verdade, havia grandes chances dele descobrir mais sobre a Ordem. Agora eram dois motivos para aceitar o trabalho…
Amanda, vendo que ele já estava mais calmo, limpou a garganta e começou a recitar:

Não creia em tudo que vê
Só dá atenção à tua intuição
E se abriga na dúvida.
Aguça teu talento
Leve tua alma ao bosque
E adivinha onde a morte se escondeu.1

Ezequiel conhecia aquelas palavras. Estavam gravadas na parte de trás do medalhão. Ela estava falando a verdade, conhecera Santiago, talvez até melhor do que ele, que morou sob o mesmo teto e foi treinado durante três anos pelo velho senhor.
- Me conte como conheceu Santiago.
- Sim. Sente-se, a história não será tão curta.






1 Trecho da música La Cruz de Santiago, da banda Mago de Oz. Traduzido pelo Google.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Capitulo 1: A Mercadora de Segredos

Vila operária de Diadam, março de 257DH

Ezequiel olhava a rua abaixo da janela da pequena estalagem onde resolveu passar a noite. Admirava o domo da cidade de Purificação no horizonte. Tinha que admitir, era uma obra linda: um domo perfeito, com 20 quilômetros de diâmetro, feito de um material transparente e de aparência frágil, mas muito resistente. Diziam que podia resistir até mesmo às armas de guerra dos nephilins.
Andou até a cama e despiu com cuidado suas armas: o cinto com a espada da cintura, as duas pistolas arcanas presas aos dois coldres gêmeos das costas, as facas de arremesso das botas e por último o colar com a cruz de Santiago.
Se dirigiu ao banheiro anexo, largando as roupas pelo caminho. Ligou o chuveiro e entrou na água fria, deixando-a levar toda a poeira da viagem.
Não tinha encontrado nenhum ferreiro que conhecia as artes arcanas, mas conseguira negociar um pouco de gasolina no mercado. Era um substituto pouco a altura para sua runa de combustível, mas teria que se virar com isso por um tempo.
Chegara cedo, um dia antes do combinado para o encontro com seu contato, mas era um homem precavido, queria evitar surpresas. Poucas pessoas eram realmente confiáveis, principalmente quando se tratava de trabalhos como o dele.
Desde o dia que acordara, sem memória, no meio de uma floresta e conhecera Helena e seu avô Santiago, aprendera muito. Não gostava de matar, mas possuía um talento singular, que somado a seu olho direito, mecânico, lhe conferira o título de melhor caçador de recompensas do hemisfério sul.
Saiu do chuveiro e se vestiu. Iria encontrar seu contato naquela noite. Como sinal de boa fé, se armou apenas com as facas e a espada. Saiu o quarto, tomando um cuidado extra ao trancar a porta: apenas uma de suas armas, assinadas pelo lendário ferreiro Santiago, poderia deixar qualquer ladrão rico, mas também seria desastroso se utilizadas sem o devido treinamento.


Algum lugar da Mata Atlântica, setembro de 250DH

- Vamos ver se você entendeu, acerte naquela marca da árvore - Santiago estendeu a pistola recém forjada por ele para Ezequiel. - Lembre-se, o coice é menor mas você ficará exausto mais rápido.
Ezequiel pegou a arma, admirando como era bela. De um metal negro como a noite, com o tambor em cinza e o cabo de mogno, ambos adornados com símbolos de poder. Dos dois lados da empunhadura, a cruz pátea que adornava todas as criações do velho Santiago, a mesma que ele levava com tanto orgulho pendurada em uma corrente prateada.
Com um movimento do punho, fechou o tambor de 6 tiros ainda vazio e mirou onde o mestre apontava. Se concentrou, sentindo o calor característico do que agora sabia se chamar arma arcana. Santiago era um dos poucos mestres ferreiros que sabiam trabalhar com as runas arcanas e com metal da fenda. Cerca de uma vez por mês uma caravana vinha até a clareira em que treinavam, negociar as belas e mortais armas. O principal comprador era Benvindo Ventura, uma figura ímpar, tanto na forma espalhafatosa de se vestir como na de falar. Sempre tratava Santiago por mestre, e nos últimos meses mostrou interesse por Ezequiel também.
Se concentrando no presente, Ezequiel puxou o gatilho. Imediatamente sentiu uma forte vertigem e suas pernas arquearam, não caindo no chão somente por que Santiago lhe escorou.
- Não coloque tanta energia no tiro, Ezequiel - tirou a pistola das mãos trêmulas do aluno e desferiu três tiros sem nem olhar para a árvore. Os três foram certeiros. - Vamos começar te treinando com projéteis de verdade. Pode ser uma pedra, um pedaço de madeira, qualquer coisa que caiba no tambor. O dreno de energia será bem menor, deve servir até você se acostumar a controlar.
Com um pouco de dificuldade, mas já se recuperando, Ezequiel seguiu Santiago de volta à forja. Ainda não entendia por que uma pessoa tão habilidosa escolheria viver tão longe de tudo, mas admirava Santiago, e gostava muito da sua neta, Helena. Ambos tinham lhe acolhido, depois de acordar sem memória no meio da floresta, de braços abertos, Helena com seu jeito carinhoso, e Santiago como se ele fosse seu filho de sangue, lhe ensinando muito da arte da forja e manejo de armas…


Vila operária de Diadam, noite de março de 257DH

Ezequiel abriu a porta do Cervo de 6 Patas, o mais sujo (e famoso) inferninho dos arredores de Purificação. A música tocava alta, mas a casa estava relativamente vazia: alguns humanos e dois ou três operários protohumanos bebendo, enquanto assistiam uma metahumana fazer um strip-tease em cima do balcão, expondo seus três seios e sua pele escamosa em troca de alguns trocados.
Se dirigiu até uma mesa num canto mais afastado e se sentou. Suas informações diziam que Benvindo iria até lá naquela noite, e Ezequiel precisava conversar com o obeso bufão. Ele era excêntrico, mas sempre possuía informações valiosas e trabalhos bem pagos pra oferecer.
- Irá comer alguma coisa ou só beber? - O barmam mal encarado veio silenciosamente, mas Ezequiel já estava acostumado com esse tipo, queriam impor respeito aos clientes para evitar confusão dentro do estabelecimento, mas viravam bebês chorões depois de algumas (muitas) doses de whisky.
- Me sirva alguma carne que tinha o número certo de patas e cabeças quando estava viva e uma xícara de café - olhando o barmam se afastar, pensou que era muito improvável que a carne não fosse de animais mutantes e o café, restos desprezados pela população de Purificação, mas era a realidade do lugar: humanos puros viviam no conforto, com tudo de bom e melhor, dentro do domo, enquanto os mutantes ou muito pobres, mas essenciais para a manutenção da cidade, viviam de restos nas vilas satélites em volta.
Quando a comida chegou (um frango assado com uma aparência bom e um café amargo e preto) os trabalhadores das fábricas do entorno começaram a entrar. Uma cacofonia de grandes e burros protohumanos, metahumanos, com suas aparências quase totalmente humanas com pequenos detalhes que provava sua ascendência mutante, alguns humanos mais pobres, e alguns andróides, com braços ou pernas de metal, uma tecnologia muito inferior a do seu olho, mas mesmo assim poderosos e mortais. Com seu olho mecânico avaliava cada um deles em busca de Benvindo, mas seu olho bom estava preso em uma mulher que entrara por último.
Era bela, talvez a mais bela que já tinha visto. Andava como um felino, com graciosidade e leveza. Poderia enganar facilmente alguém despreparado, se passando por humana, mas para um guerreiro como Ezequiel não restava dúvida de que era uma metahumana, e muito poderosa por sinal. Ela mantinha contato visual com ele, e seguiu diretamente até sua mesa, sentando sem cerimônia nenhuma, cruzando as pernas com sensualidade.
- Peça um vinho pra mim.
Dominadora. Alguém acostumada a ser servida. Não estava errado, estava diante de uma leoa.
- Por que deveria? Estou esperando alguém, se não se importa - fez um gesto de dispensa com a mão.
- Por que Benvindo não virá. Ele é um humano puro, e rico, possui livre acesso aos portões de Purificação, quando precisa de algo da vila, manda um mensageiro. E já que você está esperando a toa, me pague um vinho.
Ela tinha razão. Benvindo não era o tipo de pessoa que frequentava aquele tipo de lugar, mas a informação veio de alguém confiável, ele não podia se dar ao luxo de deixar escapar essa oportunidade.
- Não fique bravo, sua informação não estava errada, eu espalhei o boato de que ele viria hoje para lhe atrair, caçador Ezequiel.
- E você quem seria?
- Amanda. Temos negócios a tratar.
Amanda, a devoradora de homens. A rainha cafetina. A suprema espiã. Ezequiel conhecia a fama dela: enfeitiçava homens para lhe arrancar segredos, negociava moças e rapazes com ricos que queriam se divertir, possuía a fama de ser uma das únicas metahumanas a ter passagem nas cidades que proibíam mutantes.
- Preciso que você entregue um… Recado meu a um conde, e em troca, sei onde o renegado Roberto estará no mês que vem. Mas primeiro, meu vinho.
- Garson! O melhor vinho da casa para minha convidada.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Prólogo: O Anjo, o Espanhol e o Sonho

Começou a correr assim que viu o reflexo vermelho no céu e sentiu o cheiro de fumaça. Cada passo parecia em câmera lenta, cada som abafado pelas batidas do próprio coração. Tum-tum corra! Tum-tum mais rápido! Deixou sua caça para trás e acelerou, cada vez mais rápido. Folhas e galhos batiam em seu rosto, galhos quebravam em baixo de seus pés, seus pulmões queimavam pelo esforço. Mais rápido!
Antes de chegar até o chalé já sentia o calor. O fogo tomara tudo, a forja, a plantação, o celeiro. Nada se mexia além das chamas. Gritando o nome de seus anfitriões, entrou no chalé. Encontrou Santiago caído em meio a sangue, com o fogo perigosamente próximo. Pegou seu mentor nos braços e correu para fora.
Mal deitou Santiago na grama, já se preparando para entrar novamente no inferno que se transformara sua casa a procura de Helena, sentiu…
Se levantou, consciente daquela presença. Quem quer que fosse, exalava sede de sangue e dor. Se virou, levando a mão calmamente ao cabo de sua arma.
- Olha o que sobrou por aqui… Parece que o velho ainda tinha algumas surpresas.
Asas. Foi o primeiro pensamento dele ao olhar para o dono da presença maligna. Asas e sangue nas mãos.
- O Roberto não me deixou brincar com a criança humana, mandou queimar tudo aqui… Acho que isso te inclui, não? Vamos nos divertir um pouco.
Asas. Uma presença opressora. Olhos sádicos, de assassino. Ele nunca tinha visto um Nephilim de perto, mas não tinha dúvidas de que aquele ser na sua frente era um. Uma das criaturas mais letais do mundo. Puxou sua espada da cintura e a apontou para o nephilim. A lâmina, transparente, brilhou, como se sentindo o ódio do meu manejador e o sangue de seu criador, caído inconsciente no chão.
- Onde está Helena?
A voz era calma. O aperto na espada, firme. O olho esquerdo fixo no adversário. O direito, robótico, analisando cada pequeno movimento.
- Não importa pra você, não é? Você vai morrer!
Com uma rapidez que nada tinha de humana, o nephilim partiu para cima de ezequiel, sacando uma cimitarra e desferindo um golpe com uma força absurda.
A espada dele brilhou e mudou de cor. Ficou negra, e chamas da mesma cor tomaram toda a lâmina. O ódio lhe veio, e ele deixou seus instintos lhe guiarem. Defendeu um, dois, três golpes do anjo, seu olho robótico avaliando os movimentos adversários. Não era um guerreiro, apesar da força e rapidez sobre-humanas. Com dois movimentos calculados, ele desarmou-o. Mais dois movimentos e prendeu o nephilim contra uma árvore, com a lâmina incandescente contra o pescoço.
- As armas desse velho são realmente formidáveis! E você é um espadachim muito bom! Com certeza um metahumano pra ter conseguido me acompanhar. Bem, não importa, meu trabalho está feito, até mais!
O golpe pegou-o de surpresa. A asa do nephilim lhe acertou de lado, o jogando longe. Nada pode fazer ao ver a criatura levantar vôo e sumir na noite.
Correu aé Santiago. O velho senhor estava acordado, mas visivelmente fraco.
- Filho, - chamou - estou morrendo. Me prometa…
Sangue saiu da boca do senhor, fazendo-o engasgar.
- Você não vai morrer mestre. Não fale, poupe energia.
Com algum esforço, o velho senhor tirou do pescoço um medalhão de metal, uma Cruz de Santiago, e a colocou nas mãos calejadas dele.
- Deixe-a lhe guiar - falou, forçando-o a fechar as mãos em volta do medalhão - e me prometa que vai protegê-la, me prometa, Ezequiel...


Ezequiel acordou sobresaltado. A cruz de Santiago pendurada no seu pescoço queimava a pele, suor lhe cobria todo o corpo. Suas mãos procuraram automaticamente sua espada de metal da Fenda. Tudo estava quieto e escuro, sua pequena fogueira apagada a muito.
Tocou a pequena cruz em seu pescoço. Sempre que sonhava com a morte de seu mestre Santiago, ou melhor, com a morte do ultimo Grão Mestre da Ordem de Santiago, aquele amuleto ficava quente. E isso sempre era um aviso de que algo importante estava para acontecer.
Resolveu levantar acampamento. A runa de combustível da moto estava acabando, iria durar somente até a Vila Diadam. Lá esperava encontrar um antigo contato de seu mestre, e com sorte, um ferreiro habilidoso para recarregar a runa. Mais sorte ainda, se descobrisse alguma nova pista sobre o paradeiro de Helena ou do renegado nephilim Roberto.
Ainda tinha esperanças, mesmo após aqueles longos três anos.
Afinal, tinha prometido protegê-la...

Capítulo 2: A Caixa e o Poema

- Não, não, não. É impossível. Ezequiel andava de um lado para o outro dentro do quarto do hotel. Amanda estava sentada em sua cama, com ...